“Um não sei quê, que nasce não sei onde,/Vem não sei como, e dói não sei porquê.” Luís de Camões

"Na dor lida sentem bem,/Não as duas que êle teve,/Mas só a que êles não têm." Fernando Pessoa

"Lividos astros,/Soidões lacustres.../Lemes e mastros.../E os alabastros/Dos balaustres!" Camilo Pessanha

"E eu estou feliz ainda./Mas faz-se tarde/e sei que é tempo de continuar." Helder Macedo

"Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos..." Camilo Pessanha

“Vem, vagamente,/Vem, levemente,/Vem sozinha, solene, com as mãos caídas/Ao teu lado, vem” Álvaro de Campos

"Chove nela graça tanta/que dá graça à fermosura;/vai fermosa, e não segura." Luís de Camões

domingo, 6 de março de 2016

Uma boa causa

    Depois de uma estreia auspiciosa no cinema independente com "A Estação"/"The Station Agent" (2003) e "O Visitante"/"The Visitor" (2007), na sua quinta longa-metragem, "O Caso Spotlight"/"Spotlight" (2015), o americano Tom McCarthy atinge o formato de produção que o assunto tratado exige e volta a sair-se muito bem (Oscar para o Melhor Filme este ano). 
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    Com recurso a grandes actores, nomeadamente Mark Ruffalo como Mike Rezendes, Michael Keaton como Walter 'Robby' Robinson e Rachel McAdams como Sacha Pfeiffer, o filme reconduz-nos ao inquérito jornalístico do Boston Globe que em 2001 levou à descoberta e exposição de dezenas de casos de pedofilia entre o clero católico da cidade, casos esses que há décadas vinham sendo encobertos pela hierarquia.
     Baseado em factos reais, o argumento de Josh Singer e do próprio Tom McCarthy leva-nos aos meandros do caso e ao trabalho persistente dos jornalistas junto das vítimas passadas e de alguns culpados, bem como ao meio judicial, com destaque para aqueles que, como advogados, serviram de mediadores com o Igreja para, com o ajuste de indemnizações, abafarem o assunto. 
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       A realização é sóbria e segura, dir-se-ia que para dar todo o destaque à narrativa (apesar de pelo menos uma citação de "O Mundo a Seus Pés"/"Citizen Kane", de Orson Welles,1941), e este "O Caso Spotlight" não deixa de fazer lembrar "Os Homens do Presidente"/"All the President's Men", de Alan J. Pakula (1976), sobre o Caso Watergate. Feita esta comparação, somos remetidos para os chamados "liberais de Hollywood" que, na ressaca do macartismo, tiveram que, a partir dos anos 60 do Século XX, traçar o seu caminho com todas as precauções, que não evitaram que alguns deles tenham sido gravemente penalizados pela indústria, como aconteceu especialmente com Arthur Penn.
      Abraçando grandes causas com generosidade, os ditos liberais não deixaram por isso de chegar geralmente depois dos acontecimentos, nomeadamente para denunciarem um complot, como refere Gilles Deleuze no capítulo final de "L'image-mouvement", que comenta que esse foi um projecto estético e mesmo político crítico "...e por isso mesmo menos «perigoso» do que se se exercesse num projecto de criação positivo." (1)
                     
      Feita esta observação, que situada no tempo se mantém válida, pelo seu assunto tratado com grande dignidade e pertinência, susceptível mesmo de originar o unanimismo, pela sua rigorosa construção dramática, que nunca abandona a perspectiva da investigação jornalística, e pelos seus excelentes actores "O Caso Spotlight" vem situar-se com destaque num espaço temático pouco frequentado pelo cinema americano, salvo em "Mystic River" de Clint Eastwood (2003).

     Nota
    (1) Cf. Gilles Deleuze, "L'image-mouvement" (Paris: Les Éditions de Minuit, 1983, Capítulo 12.2).

sexta-feira, 4 de março de 2016

Noémia Delgado (1933-2016)

   Foi uma mulher muito influente no cinema português, fundamentalmente por causa do filme "Máscaras" (1976), obra fundamental do documentário etnológico em Portugal, filmado em Trás-os-Montes. 
   A sua actividade cinematográfica, iniciada como técnica de montagem em filmes de Paulo Rocha e com a participação na fundação do Centro Português de Cinema ainda nos anos 60, prosseguiu como assistente de Thomas Harlan em "Torre Bela" (1975) e veio a desdobrar-se como realizadora entre o cinema e a televisão, tendo o seu último filme sido "Quem foste, Alvarez?" (1988).          
                    Morreu a realizadora Noémia Delgado, um nome pioneiro ligado ao Cinema Novo
   Com a ideia de que poderia ter feito muito mais filmes se para isso tivesse tido as necessárias condições, aqui a recordo sentidamente neste momento, presto a minha homenagem e exprimo o meu grande apreço.

No mesmo barco

     No seu número 720, de Março de 2016, os Cahiers du Cinéma recordam Jacques Rivette, recentemente falecido (ver "O senhor do segredo", de 31 de Janeiro de 2016), com a inclusão de uma entrevista sua a Hélène Frappat no final do século passado (em 1999), intitulada "Le secret et la loi", e de diversos depoimentos de quem trabalhou mais com ele. Mas além do outro material das outras secções habituais da revista, este número contém também um estudo inédito de Pacôme Thiellement, intitulado "L'Homme de ma Mort", sobre "Love Streams", de John Cassavetes (1984), actor e cineasta americano que traduzia filosofia não como o amor da sabedoria mas como o estudo do amor. 
                                  
     Esta conjunção extremamente pertinente sobre dois grandes nomes do cinema leva Stéphane Delorme a utilizar a expressão "no mesmo barco" com ambos os cineastas, recordando que os Cahiers de 1968-1969 dedicaram grande atenção aos dois - "L'Amour fou" e "Faces". Nesse barco estou eu também desde antes desse tempo, e por isso aconselho incondicionalmente a todos este último número dos Cahiers du Cinéma. Porque é essencial para mim que a resposta à pergunta "o que é um filme?" passe pela "ideia de trabalho" e conhecer melhor quem entendia a filosofia como "o estudo do amor", além de ser fundamental respeitar aqueles que amamos mesmo, e em especial depois da sua morte. Aproveitem, porque para este barco sou eu que vos convido.
     (Sobre os Cahiers du Cinéma ver "O nº 700", de 17 de Maio de 2014, e "Dossiers exemplares", de 15 de Julho de 2014.)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

De cinzas e fumo

     A longa-metragem de estreia do húngaro László Nemes, "O Filho de Saul"/"Saul fia" (2015), trata com grande dignidade e todo o respeito o drama de um Sonderkommando do complexo Auschwitz-Birkenau em 1944, o húngaro Saul Ausländer/Géza Röhrig, que por entre o seu violento e terrível trabalho de transportar as cinzas e os despojos das vítimas do Holocausto do crematório para a fossa e recolher os seus pertences encontra tempo e disposição firme para querer enterrar condignamente uma criança que toma por seu filho. 
                    A scene from the film 'Son of Saul' (Cannes Film Festival)
    Mantendo grande proximidade em relação ao protagonista e àqueles que com ele trabalham, submetidos ao comando e controlo dos senhores nazis do campo e do seu destino, fechando o espaço verdadeiramente concentracionário este filme consegue ser um testemunho humano muito bom, tanto mais quanto se sabe que membros como Saul da mesma força, judeus como os outros e como eles destinados à morte, fizeram o relato escrito da sua vida ali, o que constitui peça importante para a presente reconstituição e a faz valer como mais do que isso.
   Sem em caso algum embelezar ou de qualquer outra maneira contemporizar com o horror absoluto (nunca há o contracampo dos carrascos), nem mostrar a morte a ser dada, antes fragmentos do antes e do depois (corpos nus vivos e corpos nus mortos, à distância), Lázsló Nemes mantém um pulso firme na composição dos planos, quadro e iluminação (fotografia de Mátyás Erdély), e na representação dos actores, todos notáveis com especial destaque para Géza Röhrig, um poeta húngaro a viver nos Estados Unidos, portanto um não-profissional. Tudo aquilo que é mostrado e que os sons provenientes do fora de campo torna ainda mais negro e soturno é terrível, final, sem recuo ou escapatória, como o fim do filme confirma também relativamente àqueles que tentam a fuga, episódio real de 1944.
                   
    As poucas imagens de Auschwitz e dos outros campos de concentração e de extermínio do Holocausto como representações do irrepresentável foram exaustivamente estudadas por Georges-Didi Huberman em "Images malgré tout" (Paris: Les Éditions de Miniuit, 2003), um texto que se tornou célebre no percurso deste notável historiador, filósofo e antropólogo das imagens, nomeadamente da pintura, da escultura, da fotografia e do cinema, que mereceu um importante  desenvolvimento em "O Inimaginável: leituras dos corpos e das suas imagens - Reflexões em torno de quatro imagens distantes", de Jorge Leandro Rosa (in revista NADA, nº 12 - Lisboa: 2008, páginas 110-123).
    Com o passar do tempo e dos filmes, incluindo, desde "Noite e Nevoeiro"/"Nuit et Brouillard", de Alain Resnais (1955), os de Claude Lanzman e de Steven Spielberg, a questão proporcionou um tratamento sério e rigoroso, que desde logo impôs a Lázslé Nemes respeitar todos os protocolos para que nada fosse deixado ao acaso ou à pura especulação. Obra de ficção com largo apoio nos factos reais (argumento de Lázsló Nemes e Clara Royer), "O Filho de Saul" é um filme que é preciso ver todo e de frente, de olhos secos como o documentário possível que consegue ser, com a inclusão do fotógrafo no interior do campo.
                   
      Para o final os planos, desde o início com largo recurso à desfocagem dos fundos, vão-se tornando mais longos, embora com largo recurso aos movimentos de câmara, e por isso menos numerosos, para acabar numa imagem vazia, sobre um espaço vazio, sobre o qual ressoam os disparos provenientes do fora de campo, inequívocos. Além desta, a grande audácia do filme é mostrar um corpo de criança ainda vivo, aliás por pouco mais tempo. 
     Filmado em 35mm com uma objectiva de 40mm, "O Filho de Saul" de Lázsló Nemes representa uma viagem ao coração do horror absoluto, que o seu carácter ficcional torna mais terrível, absurdamente inumano. Mas do mesmo Georges-Didi Huberman sobre ele saiu no final do ano passado "Sortir du noir" (Paris: Les Éditions de Minuit, 2015), que aqui devo vivamente recomendar. (Sobre o cinema húngaro, ver "Nas trevas interiores", de 29 de Junho de 2012, e "O bom ponto de vista", de 11 de Setembro de 2013. Sobre o Holocausto, ver "A cidade de ficção", de 27 de Dezembro de 2015).

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A palavra que falta

     "Salve, César!"/"Hail, Caeser!", o mais recente filme dos irmãos Joel e Ethan Coen (2016), é mais uma exuberante manifestação do seu superior talento.
    De regresso à comédia inteligente sobre a estupidez dos americanos, em que deram anteriormente grandes provas em especial em "O Grande Salto"/"The Hudsucker Proxy" (1994), "O Grande Lebowski"/"The Big Lebowski" (1998), "Irmão, Onde Estás?"/"Oh Brother, Where Art Thou?" (2000), "Destruir Depois de Ler"/"Burn After Reading" (2008) (embora ela atravesse quase todos os seus filmes), o filme leva-nos aos anos 50 e à era do macarthismo em Hollywood sob a forma, muito apropriada, de filme negro, cuja estética é muito bem explorada formalmente.
                    
    "Salve, César!" começa e acaba, com epílogo, num confessionário, que Eddie Mannix, o protagonista, homem de confiança dos estúdios interpretado por Josh Brolin, frequenta (duas vezes no intervalo de 27 horas) fundamentalmente por não estar a conseguir deixar de fumar como prometeu à sua mulher, e ele é o centro em volta do qual se desenrolam filmes, actores, actrizes, realizadores, enfim o mundo do cinema.
     E este filme dos Coen é especialmente notável por nos levar ao interior do mundo do cinema, com referências dispersas ao próprio cinema americano que só o espectador mais conhecedor poderá acompanhar (não, não vos digo nada, descubram cada um por si), numa estratégia intertextual que o aproxima do Jean-Luc Godard dos anos 60 do Século XX, em especial de "O Desprezo"/"Le mépris" (1963).
                     hail caesar
     Também autores do argumento, como costuma acontecer nos seus filmes, os dois irmãos seguem os estereótipos da época, da opinião dos líderes religiosos sobre um filme da vida de Cristo aos conspiradores e raptores argumentistas comunistas, com nomes (o cão Engels é fantástico) e submarino e tudo. Pelo meio a filmagem de um filme de sereias com DeeAnna Moran/Scarlett Johansson, actriz grávida à procura de pai, de um melodrama em que um actor de western, Hobie Doyle/Alden Ehrenreich, tem dificuldade em articular correctamente o inglês como lhe pede o realizador, Laurence Laurentz/Ralph Fiennes, e de um musical com marinheiros à maneira de Stanley Donen e Gene Kelly.        
      O ponto do delírio cómico é atingido pela técnica de montagem que é enlaçada pelo pescoço, estrangulada pelo material com que trabalha na sala de montagem, o que (além de lembrar Dziga Vertov) fará o encanto Thelma Schoonmaker. Com actores fabulosos cada um deles no registo certo, de que apreciei George Clooney e Tilda Swinton em especial, ela num duplo papel, "Salve, César!" é um filme inteligente como os Coen nos habituaram sobre uma questão sensível vista do lado da ironia e do humor em que são mestres.   
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     Com este "Salve, César!" percebe-se melhor a incursão de Joel e Ethan Coen pelo argumento para "A Ponte dos Espiões"/"Bridge of Spies", de Steven Spielberg, 2015 (ver "Dois por um", de 10 de Janeiro de 2016). Em França Claude Chabrol tratou com grande pertinência, no seu tempo, a "bêtise", no tempo deles os Coen tratam também superiormente a "estupidez", e é aqui notável sobretudo, repito, a recuperação do estilo do filme negro em favor de uma declaração final de (a palavra que falta ao actor Baird Whitlock/George Clooney na sua fala final perante a cruz) no cinema, ingénua e cómica na sua própria ingenuidade contra outro negócio, o da aviação (sobre os dois irmãos ver "Encontro fatal", de 20 de Janeiro de 2012, e "Uma boa surpresa", de 26 de Dezembro de 2013).
                    

     Nota
   Sobre os Coen aconselho "Ethan and Joel Coen", de Ian Nathan (Paris: Cahiers du Cinéma/Masters of cinema, em inglês, 2012) e "Oh Brothers! - Sur la piste des frères Coen", de Marc Cerisuelo e Claire Debru (Paris: Capricci, 2013) na bibliografia mais recente.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Umberto Eco (1932-2016)

    Foi uma das grandes personalidades da vida intelectual europeia e mundial desde a segunda metade do Século XX. Semiólogo, filósofo e historiador prestigiado, professor, jornalista e também escritor, estabeleceu um patamar de dignidade e credibilidade em tudo o que escreveu, disse, comentou.
    O meu primeiro contacto pessoal com a sua obra deu-se com o romance histórico "O Nome da Rosa", nem sequer por causa do filme de Jean-Jacques Annaud (1986). E vai ser como romancista, historiador, filósofo e semiólogo que ele vai permanecer mesmo depois da sua morte.  
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    Não teve pejo em, como Roland Barthes, estudar a imagem banal, a imagem publicitária mais vulgar a partir da semiótica, em que, com Gilles Deleuze, recuperou o entretanto esquecido fundador da semiótica moderna, o americano Charles Sanders Pierce (1839-1914). Mas seu pensamento filosófico vai muito além disso, até porque é de uma grande actualidade e erudição. Cultivou o labirinto e a ironia de forma superior. E também se interessou pelo cinema, nomeadamente em polémica com Pier Paolo Pasolini em "La struttura assente" (1968) - "A Estrutura Ausente" (São Paulo: Editora Perspectiva, 1997 para a 7ª edição).
    Conseguiu o que ainda hoje é raro: reunir o grande prestígio intelectual e a popularidade que a sua obra de ficção e a sua actividade jornalística lhe deram. "Idade Média", que organizou e está editado em português pela Dom Quixote (2011, 2013, 2014, 2015), culminou um percurso de excelência intelectual, iniciado em 1954 com a sua tese de doutoramento sobre "O Problema Estético em Tomás de Aquino" (não editada em Portugal) da maneira mais digna. Aqui lhe presto a minha homenagem, expresso o meu respeito e a minha gratidão.

A contraprova

   No ano de 1962, em que todos situam a morte do western com "O Homem Que Matou Liberty Valance"/"The Man Who Shot Liberty Valance", de John Ford, um outro e quase desconhecido filme confirma o seu óbito: "Fuga Sem Rumo"/"Lonely Are The Brave", de David Miller, com argumento de Dalton Trumbo.
                    
   Lembro-me muito bem de ter visto este filme quando da sua estreia em Portugal e revio-o agora por mero acaso. Diz-se que Kirk Douglas, que o interpreta, o considerava o seu filme favorito (e percebe-se bem porquê da parte de quem interpretou grandes westerns de Raoul Walsh, King Vidor, Andre De Toth, Howard Hawks, John Sturges, Robert Aldrich), e o argumento do então ainda recente blacklisted, sobre o qual passa neste momento um filme em Portugal, não é indiferente para a sua excepcional qualidade.
   Jack Burns é um cowboy, que se dedica ao pastoreio de gado, e que se faz prender depois de um combate com um maneta para se juntar na prisão a um amigo, Paul Bondi/Michael Kane, e levá-lo a fugir com ele. Há antes e depois a mulher do prisioneiro, Jerry Bondi/Gena Rowlands, que tem um filho e pinta, a quem Jack se limita a pedir "a big kiss" antes de fugir sozinho depois da sua fuga solitária da prisão.
                    
    Perseguido por um xerife, Morey Johnson/Walter Mathau, curioso com o que se passa fora das paredes do seu gabinete, um cão com o qual ele dialoga e que nunca se vê, Jack escapa-lhe a ele e ao próprio exército, de que abate um helicóptero. Sempre fiel à sua égua Whisky, que se recusa contra si próprio a abandonar, acaba atropelado com ela por um camião de transportes numa auto-estrada - e o filme tinha-se iniciado com a travessia difícil de ambos de uma outra. O único tiro do final é fora de campo.
    A América que se tinha tornado hostil a estes heróis puros e solitários e que se despedia do western com um grande filme, o de Ford, sobre a verdade e a lenda, tinha-se tornado um espaço hostil na actualidade para quem pretendesse viver segundo os seus códigos. No ano seguinte o Presidente John Kennedy seria assassinado (sobre o western, ver "Poética do western", de 29 de Setembro de 2013).