"Viver à Margem"/"Time Out of Mind" é a primeira longa-metragem de Oren Moverman (2014) a que me é dado assistir deste conhecido argumentista, produtor e realizador israelo-americano e é um filme muito bom que, em volta de um vagabundo sem-abrigo de New York, George/Richard Gere, constrói fragmentariamente o mundo à sua volta.
Esse mundo que o rodeia é povoado por gente que lhe é hostil, lhe é alheia ou o tenta ajudar, numa mistura bem vista em que os que lhe poderiam ser mais próximos se tornam mais distantes e em que o sistema faz o que pode numa situação de isolamento devido à defecção de todos os que lhe foram próximos, incluindo a filha, Maggie/Jena Malone.

O melhor do filme está num Richard Gere mediúnico, que de rosto fechado, inexpressivo, e olhos que piscam se apaga perante os pormenores que lhe vão chegando da vida a que chega em volta de si. Embora ele também evidentemente interesse porque toda a sua história, exemplar, serve de fio condutor ao filme.
Trabalhando sobre argumento seu, Oren Moverman mantém a câmara próxima dos actores de maneira a tornar estes os seres fantomáticos que são, solitários abandonados ("idiotas", "palhaços", "marionetas" - como Dixie/Ben Vereen e George se identificam a si próprios) a que ninguém liga verdadeiramente enquanto prosseguem as suas próprias vidas.

"Viver à Margem" é especialmente interessante no percurso de marginal que faz inteiramente sentido, enquanto a necessidade de lhe dar um termo narrativo, sem estar mal o minimiza um pouco. Permanecem um homem só e com rivais mais do que amigos, com os fragmentos dispersos da cidade que lhe chegam.
Sem os vícios nem as pretensões do João de Deus de João César Monteiro em "Recordações da Casa Amarela" (1989), este um vagabundo americano ao qual chegam apenas pontas soltas do mundo, que é o que, do seu ponto de vista (o que é importante), o liga ao que o rodeia e mais interessa num filme em que Richard Gere actua com brio e humor e a música extra-diegética está ausente, o que lhe fica muito bem.


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