“Um não sei quê, que nasce não sei onde,/Vem não sei como, e dói não sei porquê.” Luís de Camões

"Na dor lida sentem bem,/Não as duas que êle teve,/Mas só a que êles não têm." Fernando Pessoa

"Lividos astros,/Soidões lacustres.../Lemes e mastros.../E os alabastros/Dos balaustres!" Camilo Pessanha

"E eu estou feliz ainda./Mas faz-se tarde/e sei que é tempo de continuar." Helder Macedo

"Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos..." Camilo Pessanha

“Vem, vagamente,/Vem, levemente,/Vem sozinha, solene, com as mãos caídas/Ao teu lado, vem” Álvaro de Campos

"Chove nela graça tanta/que dá graça à fermosura;/vai fermosa, e não segura." Luís de Camões

domingo, 18 de dezembro de 2016

Uma provocação de Kusturica

    Inédito comercialmente em Portugal, "Promessas"/"Zavet", de Emir Kusturica (2007), é uma comédia desbragada sobre questões que lhe são caras, com uma perspectiva crítica da Sérvia contemporânea.
     Um avô, Zivojin Markovic/Aleksandar Bercek, pede ao neto Tsane/Uros Milovanovich que leve consigo a vaca, a venda na cidade, compre um ícone e uma prenda para ele e arranje uma mulher para si próprio.
      O humor dispara na sessão de circo e não vai abandonar o filme, em crescendo, com o bando mafioso de Boss Bajo/Predrag 'Miki' Monojilovic, que pretende a construção de Torres Gémeas na Sérvia, os dois irmãos Topuz/Stribor Kusturica e Runjo/Vladan Molojevic, filhos de um irmão de Zivojin, tio avô de Tsane (cujas cinzas eles guardam em casa), e o homem voador/Milan Janjusevic.
                     Promise Me This
   Cumprido o que lhe pedira o avô salvo a prenda, Tsane encontra a mulher em Jasna/Marija Petronijevik, e essa parte do filme está dirigida como comédia americana com algum sabor, que desenjoa do excesso de fogo de artifício do restante - que apesar de tudo lembra o melhor de Blake Edwards (1922-2010) - em que a castração de Bajo rima com a castração inicial do porco. O final é puro delírio, com o regresso de Tsane com Jasna a deparar com um funeral e um casamento, o do avô Zivojin com Bosa/Ljiljana Blagojevic (que tem um outro pretendente mais novo), a que se junta o casamento deles.
   Ao apresentar-se como comédia romântica o filme permite todas as brincadeiras em traço grosso ao gosto de Emir Kusturica, que trabalha sobre argumento seu, ele que é um nome de referência do melhor do cinema nos últimos 30 anos, com uma obra vasta e importante em que se destacam "O Tempo dos Ciganos"/"Dom za vesanje" (1988), "Era Uma Vez Um País"/"Underground" (1995), a sua obra-prima, e "Gato Preto, Gato Branco"/"Crna macka, beli macor" (1998) - espera-se a estreia do seu mais recente "On the Milky Road" (2016), que é a sua primeira longa-metragem de ficção depois deste "Promessas".
                    Promise Me This
    O filme passou sexta-feira na RTP2, em que é de assinalar o regresso de Maria João Seixas ao Domingo, uma notícia de saudar no panorama tenebroso da programação das televisões portuguesas. Disseram-me, aliás, bem da actual programação deste canal, que vou experimentar um dia destes.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Confiança

   Por muito louvável intervenção pessoal do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa foi hoje restabelecido no Teatro do Bairro Alto o diálogo entre o Teatro da Cornucópia e o Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes. Este é conhecido como poeta, homem inteligente e de cultura, enquanto Luís Miguel Cintra e Cristina Reis sabem do que a Cornucópia precisa para poder continuar o seu projecto com dignidade.
                      Cornucópia saiu de cena com casa cheia e um recital
  Expectantes, confiemos, sabendo que as coisas dependem da satisfação das condições indispensáveis, que está em causa uma instituição teatral de manifesto interesse para a cultura portuguesa e que aqui o Ministro da Cultura joga a credibilidade do Governo a que pertence.

Até sempre

  O Teatro da Cornucópia, em Lisboa, encerra a sua excepcional actividade, segundo anunciou ontem Luís Miguel Cintra, com uma festa a realizar hoje nas suas instalações, com o lançamento do segundo volume do Livro/Catálogo "Teatro da Cornucópia - Espectáculos 2002/2016", o lançamento da edição dvd da filmagem do seu espectáculo Fim de Citação por Joaquim Pinto e Nuno Leonel e um recital de poesia, com entrada livre, de Guillaume Apollinaire, às 16 horas.
  O Luís Miguel tinha anunciado há três anos que o fim do Teatro da Cornucópia podia estar próximo (ver "Vamos ao teatro", de 17 de Março de 2013), o que agora infelizmente acontece com grande prejuízo para o teatro português e em Portugal.
                     
   A Cornucópia foi a mais importante companhia portuguesa de teatro independente, com uma actividade regular notabilíssima que a tornou uma referência do teatro europeu. A sua continuação impunha-se desde que estivesse assegurada a possibilidade de trabalhar ao nível a que sempre trabalhou. Não se tornando tal possível, compreendo a decisão da companhia de cessar aqui a sua actividade "por respeito pelo público".
   Levianos e incultos, os tempos que correm não são propícios à mais elevada qualidade nem no teatro nem na cultura em geral. A grande exigência da Cornucópia em tudo aquilo que fazia não levava a que a sua actividade fosse bem vista e uma política desastrosa, sem referências bastantes para o sector acabou por conduzir a este desfecho.
   Aqui aplaudo calorosamente a actividade de tantos anos desta grande companhia de teatro independente, todos os actores, encenadores e técnicos que nela participaram e em especial o grande actor e encenador do nosso tempo, Luís Miguel Cintra, figura maior da cultura portuguesa contemporânea, Prémio Pessoa em 2005. Apareçam todos hoje no Teatro do Bairro Alto para a despedida.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A arte do documentário

   Natural de Milwaukee, Wisconsin, o americano James Benning, grande documentarista independente até agora desconhecido em Portugal, chegou-nos já no final deste ano na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, no prosseguimento de uma muito louvável programação do cinema independente americano que já nos trouxera Robert Frank (1991), Frederick Wiseman (1994), Jon Jost (1996), Robert Kramer (2000) e Jim Jarmush (2007). E não era sem tempo pois estamos perante um dos maiores nomes do documentário no cinema.
                      JAMES BENNING, «13 Lakes», 2004.
   Trata-se, de facto, de um cineasta surpreendente por dedicar os seus documentários à terra, ao ar, à água e ao fogo do seu país mas também de outras partes do mundo, locais que surgem todos eles sempre identificados no final de cada um dos seus filmes. Mas "Ruhr" (2009) é filmado em Duisburg, na Alemanha. 
   Convém esclarecer aqui que James Benning fez os seus filmes em 16mm até 2008, e a partir daí em digital. Na sua obra avulta a denominada Trilogia da Califórnia, composta por "El Valley Centro" (2000), "Los" (2001) e Sogoby" (2002).
                      small roads (2011)                 
    Para demonstrar o seu interesse pela terra, o espaço, ele constrói cada um dos seus filmes em planos muito longos e por regra fixos em que, com o passar do tempo, de vez em quando alguma coisa acontece, como por exemplo surgir um comboio - "RR" (2007), "BNSF" (2013) - ou carros - "small roads" (2011). Às vezes nem isso, como quando filma o céu em "Ten Skies" (2005) ou a água em "13 Lakes" (2005). E enquanto o tempo passa em planos vazios o espaço, os espaços oferecem-se à nossa contemplação serena - "Four Corners" (1997), "Two Cabins" (2011).
    Pelo contrário em "One Way Boogie Woogie" (1978) e "27 Years Later" (2005) mostra naquele lapso de tempo, nos mesmos locais, com as mesmas posições de câmara e as mesmas pessoas, as que sobreviveram, o efeito da passagem do tempo - o que mudou, quem desapareceu -, e esse é com "Landscape Suicide" (1986) e "Twenty Cigarettes" (2011) um dos seus filmes mais povoados por humanos, que nos outros de todo rareiam. 
                               James Benning
    Em qualquer caso há sempre um atento e muito bom recurso aos sons - os ruídos ambiente ou, por exemplo, em "Landscape Suicide" os interrogatórios interactivos no espaço do plano, em "Deseret" (1995) a leitura do New York Times por uma voz-off, que em inglês se diz voice over.
    Na sua serenidade, os filmes de James Benning impõem-se ao imporem uma ideia da América e do mundo dos humanos longe dos estereótipos a que o cinema comercial americano nos habituou, mas também pela sua variedade e interesse. Com o seu projecto pessoal e o seu estilo próprio, ele é um documentarista  que discute a primazia do género com Fred Wiseman, o que quer dizer que é do melhor que é possível encontrar na actualidade, com possíveis influências em Chantal Akerman (1950-2015) e Abbas Kiarostami (1940-2016) entre outros. 
                      20101226175327-rr-43_palm_springs_ca_
   E é como o espaço vazio advém no tempo de um plano que se constrói a poética do documentário nos filmes de uma estarrecedora beleza de James Benning, com linhas rectas, urbanas, e formas contorcidas, industriais e naturais, que vivamente vos aconselho e aliás estão em grande parte acessíveis na internet - em maior número que os apresentados na retrospectiva da Cinemateca.  Uma obra vasta e fundamental para a qual quero neste momento chamar a vossa atenção.
    Agora este ciclo dedicado ao documentário encantado de um cineasta independente maior, que foi o acontecimento cinematográfico do ano em Portugal, como os anteriores merece um catálogo condigno da Cinemateca Portuguesa, de que todos ficamos à espera, mas também a edição dvd dos seus filmes - sobre Frederick Wiseman ver "Sobre arte", de 31 de Maio de 2015, e "Um olhar sempre curioso", de 5 de Novembro de 2015.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A linguagem e a ciência

   "O Primeiro Encontro"/"Arrival", a mais recente longa-metragem de ficção do canadiano do Quebec instalado em Hollywood Denis Villeneuve (2016), é um filme de ficção científica inteligente e bem feito, que levanta questões pertinentes e interessantes.
                     
   Com argumento de Eric Heisserer (também produtor executivo) baseado no conto "Story of Your Life", de Ted Chiang, o filme centra-se no encontro dos terrestres com extra-terrestres que chegam à Terra pela primeira vez e com os quais é preciso estabelecer diálogo. A chefia militar americana na pessoa do Coronel Weber/Forrest Whitaker recorre a dois especialistas, Loise Banks/Amy Adams, professora de literatura e tradutora especializada em diferentes línguas humanas, e Ian DonnellyJeremy Renner, um cientista da linguagem.
   Mas a construção temporal é um primeiro elemento muito bom, com o filme a começar pelo fim e a acabar no início, enquanto, ao fim de múltiplos e difíceis esforços dos dois protagonistas que aliam a linguística e a ciência, é conseguido um contacto em termos de entendimento mútuo com os extra-terrestres em que estes explicam que o fundamental que têm a comunicar é o tempo e que prevêm, antecipam o futuro.
                      arrival-jeremy-renner-5.jpg
   A própria parte nodal do contacto estabelecido e da sua dificuldade está bem tratada e bem resolvida, primeiro com uma barreira transparente entre os interlocutores, depois com a entrada de Louise na nave que aterrara no Montana, uma de doze, um casulo. Este "O Primeiro Encontro", não é, pois, mais um banal filme de ficção científica, quer pela sua construção temporal entre os terrestres, quer pelos efeitos especiais e visuais dos alienígenas, perfeitos com recurso à animação, quer pela questão que coloca desde cedo de saber o que é mais importante, central e básico, a linguagem ou a ciência - os ecos de outros contactos noutras partes do globo coadjuvam e completam o quadro do contacto que acompanhamos.
    Os actores principais, a que haverá que acrescentar Michael Stuhlbarg como agente Halpern do lado das autoridades ("os palhaços" como lhes chamam os protagonistas), estão muito bem, com realce de novo para Amy Adams no mesmo ano de "Animais Nocturnos"/"Nocturnal Animals" de Tom Ford (ver "Preciso, com enigma", de 9 de Dezembro de 2016), e além deles pouco mais há a destacar nas interpretações salvo a filha de Louise, Hannah, em diversas idades
                      How do the captivating beasts in Arrival stack up to other interstellar invaders?
     A fotografia de Bradford Young em tons escuros é muito boa, a música de Jöhann Jöhannsson está muito apropriadamente utilizada ao ponto de em certos momentos tomar conta do filme, e a montagem de Joe Walker é perfeita.
    Para quem pudesse pensar que já não havia nada de novo a dizer em termos de ficção científica no cinema será uma boa surpresa pois este é um dos grandes filmes do género. Denis Villeneuve continua a dar muito boa conta de si e à luz deste novo filme até compreendo melhor o seu "O Homem Duplicado"/"Enemy" (2013), baseado em José Saramago - sobre o cineasta ver "Equívoco", de 6 de Julho de 2014, e "Geometria negra", de 23 de Outubro de 2015.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Contra todos

    "Hell or High Water: Custe o Que Custar!"/"Hell or High Water", de David Mackenzie (2016), é um filme curioso, que remete para o cinema clássico americano, nomeadamente Raoul Walsh, para o western de um outro inglês em Hollywood, "Terra perdida"/"The Hi-Lo Country", de Stephan Frears (1998), e mesmo para "Indomável"/"True Grit", de Joen e Ethan Coen (2010), por causa da presença em ambos do mesmo actor, Jeff Bridges. 
                    Hell or High Water Movie Review
   Narra os assaltos a bancos de dois irmãos, Tanner/Ben Foster que cumpriu pena de prisão e Toby Howard/Chris Pine que acompanhou a mãe de ambos até ao fim, para obterem o dinheiro que lhes permita resgatar a hipoteca do rancho da família de que são proprietários no Oeste do Texas, e a perseguição que lhes é movida pelos Rangers Marcus Hamilton/Jeff Bridges que está à beira da reforma e Albert Parker/Gil Birmingham que é mestiço.
   Os contrastes estabelecidos, entre os dois irmãos, que como os comanches são "inimigos de todos" segundo um diálogo do filme, entre os perseguidores e entre uns e os outros estão bem resolvidos, e a aproximação da montanha, que culmina com a morte de Albert e de Tanner, remete para os clássicos de Raoul Walsh "O Último Refúgio"/"High Sierra" (1941) e "Golpe de Misericórdia"/"Colorado Territory" (1949), entre outros. Depois disso as coisas acalmam e o filme acaba em surdina entre Marcus e Toby.
                    Hell Or High Water 
    A crítica do sistema na sua crise do ponto de vista dos que com ela mais sofrem está bem feita e é oportuna enquanto o trabalho dos actores é decisivo neste filme indie que já foi qualificado nos Estados Unidos como misógino, o que é verdade sem consequências, e racista, o que não considero especialmente notório.
   Com argumento de Taylor Sheridan, boa fotografia de Giles Nuttgens, música de Nick Cave e Warren Ellis,  montagem de Jake Roberts, "Hell or High Water: Custe o Que Custar!" conta com uma realização clássica de David Mackenzie que o valoriza.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Alberto Seixas Santos (1936-2016)

     Figura maior do Cinema Novo português dos anos 60/70, de que foi a "consciência teórica", depois das curtas-metragens "A Arte e o Ofício de Ourives" e "Indústria Cervejeira em Portugal" (1968) emergiu na longa-metragem com "Brandos Costumes"  (1975), começado antes mas só finalizado depois do 25 de Abril.
    Antes disso tinha frequentado o curso de Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras de Lisboa, feito crítica de cinema e sido dirigente cineclubista, frequentando a Cinemateca Francesa de Henri Langlois em Paris e uma escola de cinema em Londres na primeira metade dos anos 60. No final da mesma década esteve na criação do Centro Português de Cinema financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, que dirigiu, decisivo para o arranque
da segunda fase do nosso Cinema Novo.
                        Padrinho           
    Opositor do Estado Novo, a ele dedicou "Brandos Costumes", filme mítico na sua estética intransigente do plano-sequência e da recitação do texto para a câmara, escrito pelo realizador e Luiza Neto Jorge (1939/1989) - que também fez os diálogos de "A Ilha dos Amores", de Paulo Rocha (1982) - com diálogos desta e de Nuno Júdice, numa estratégia fílmica que só Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e António Reis, cada um a seu modo, na senda de trabalhos anteriores viriam a seguir. Mesmo aqueles que não o aceitavam compreenderam o distanciamento que ele assim convocava e que nem todos acompanhavam, como não acompanharam noutros - Straub/Huillet, Godard, Pedro Costa, Vítor Gonçalves além dos já mencionados -, um distanciamento que nele ela deliberadamente convocado como motivo de reflexão e parte de uma ideia própria do cinema como arte.
     Depois de ter participado em dois filmes colectivos, "As Armas e o Povo" (1975) sobre o 25 de Abril e "A Lei da Terra" (1975), do Grupo Zero de que foi um dos fundadores, sobre a Reforma Agrária, realizou "Gestos e Fragmentos" (1982) em que filma um diálogo entre Otelo Saraiva de Carvalho e Eduardo Lourenço sobre Portugal, os militares e o poder, com a intervenção do cineasta independente americano Robert Kramer (1939-1999). Foi também um professor de referência da Escola de Cinema do Conservatório Nacional, depois Escola Superior de Teatro e Cinema, muito apreciado pelos seus alunos que influenciou, presidiu ao Instituto Português de Cinema e foi director de programas da Radiotelevisão Portuguesa.
                     
    A sua obra, escassa, prosseguiu com "Paraíso Perdido" (1995), escrito por si e António Cabrita, "Mal" (1999), com argumento seu, a curta-metragem "A Rapariga da Mão Morta" (2005), escrito por si e Maria Velho da Costa, e "E o Tempo Passa" (2011), que escreveu com Catarina Ruivo e tem diálogos de Maria Velho da Costa, filmes de reflexão crítica sobre Portugal e os portugueses 
    Com a obra que nos deixou, o seu conhecimento do cinema e o seu pensamento sobre o cinema, a sua cultura, o seu bom gosto e o seu exemplo tornaram-no uma das personalidades mais respeitadas e influentes do cinema português dos últimos 50 anos.
                      Retrospetiva Alberto Seixas Santos decorre entre 21 e 30 de março
     Foram inteiramente merecidas as sucessivas homenagens da Cinemateca Portuguesa a um homem que era "muito lá de casa" e tinha feito o melhor da sua formação na Cinemateca Francesa de Henri Langlois. Em 2014 Luís Alves de Matos dedicou-lhe o documentário "Refúgio e Evasão". Uma das suas últimas entrevistas, inédita, de 20 de Novembro de 2012, consta em anexo do livro "Cinema Português - Intersecções Estéticas nas Décadas de 60 a 80 do Século XX", de Nelson Araújo (Lisboa: Edições 70, 2016). Sobre ele ver "Um requiem português", de 30 de Março de 2012, e "Uma ideia original", de 30 de Julho de 2012.